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    Brasil responde com firmeza aos EUA

    Tarifaço de Trump ao Brasil: nova ofensiva comercial dos EUA impõe novas tarifas após meses de negociação

    O comércio entre o Brasil e os Estados Unidos vive um dos seus momentos mais tensos dos últimos anos. Nesta quarta-feira (15/07), o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando supostas práticas “desleais” do Brasil no comércio — justificativa que o governo brasileiro rejeita categoricamente.

    “Exigiam a capitulação”, diz o Itamaraty

    O ministro das Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, afirmou em pronunciamento que os EUA buscaram uma verdadeira “capitulação” do Brasil durante as negociações. Segundo ele, Washington exigia a abertura total, irrestrita e exclusiva de setores inteiros da economia brasileira ao mercado estadunidense, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros.

    “O que Rubio chama de ego nada mais é do que a convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania brasileira e dos interesses das nossas empresas e de nossos trabalhadores”, rebateu o chanceler, respondendo a declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que atribuiu a falta de acordo ao “ego” de Lula.

    Vieira lembrou que o Brasil se manteve ativo nas negociações — foram mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone desde março de 2025 — e destacou que não há justificativa econômica para as tarifas: nos últimos 15 anos, os EUA acumularam US$ 424 bilhões de superávit em bens e serviços com o Brasil, e em 2025 cerca de 76% das importações vindas dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação.

    Motivação política e Pix

    Para o governo brasileiro, o tarifaço tem clara motivação política, ligada ao julgamento da tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e a uma tentativa de interferência no Judiciário brasileiro. O chanceler também classificou como “descabidas” as acusações contra o Pix — que ele definiu como uma infraestrutura pública de pagamentos aberta a todas as instituições — e contra o suposto desmatamento ilegal, ressaltando a redução significativa na Amazônia e no Cerrado desde 2022.

    O impacto das tarifas dos EUA na Irlanda

    A Irlanda também sofre os efeitos da política comercial de Trump. Dados do Central Statistics Office (CSO) mostram que as exportações irlandesas de bens caíram quase um terço (mais de 29%) em maio de 2026 na comparação anual, uma queda de €6,8 bilhões.

    As exportações especificamente para os EUA despencaram 56%, e os produtos farmacêuticos — carro-chefe da economia irlandesa — recuaram quase 59%. Parte dessa queda é explicada pela corrida de 2025, quando empresas irlandesas anteciparam enormes remessas de produtos aos EUA antes da entrada em vigor das tarifas (“Liberation Day”). Como resposta, as empresas irlandesas vêm diversificando seus mercados — as exportações para a Grã-Bretanha, por exemplo, cresceram mais de 26% no mesmo período. Ainda assim, especialistas alertam que a forte dependência de poucos setores de alto valor continua sendo uma vulnerabilidade estrutural para a Irlanda.

    (com informações da Agência Brasil e Irish Examiner)